ELETRICIDADE PARA A ELETRÔNICA

Embora em Eletricidade, os cálculos matemáticos sejam necessários, não demos importância neste tópico, por não acharmos conveniente aos nossos propósitos.

Os Materiais isolantes foram acrescentados por necessidade didática.


Pois é necessário saber para entender.


CORRENTE ELÉTRICA: É o movimento ordenado de elétrons em condutores.



Os aparelhos eletro-eletrônicos que se encontram nas residências precisam de energia elétrica para o seu funcionamento.


Tal energia é obtida quando eles são ligados em alguma fonte de energia, como uma pilha ou uma tomada.




Os Elétrons livres se encontram nos meios condutores desses aparelhos, que passam a se movimentar de maneira ordenada, transportando a energia elétrica necessária para o seu funcionamento.


Esse movimento ordenado dos elétrons é conhecido como 
Corrente Elétrica e ela pode ocorrer nos condutores sólidos, como os metais, e em gases e líquidos ionizados.

Criando uma corrente elétrica

Para começar, um tipo de corrente mais comum, que é aquela produzida em fios condutores, que são aqueles feitos de metais, como por exemplo, o cobre.




Os metais são bons condutores de eletricidade, pois possuem elétrons livres e quando esses materiais estão em equilíbrio, os elétrons se encontram em movimento desordenado.


Para se obter uma corrente elétrica, é necessário criar um campo elétrico nesse condutor.


Com esse campo elétrico, teremos diferentes níveis de Energia Potencial.




Esses diferentes níveis de energia potencial provocarão algo que é conhecido como Diferença de Potencial (d.d.p.), ou simplesmente tensão elétrica.

Essa diferença de potencial pode ser obtida ligando-se o condutor a uma pilha.


Intensidade de corrente elétrica

Considere uma secção no nosso fio condutor, onde podemos contar a quantidade de elétrons que passam por ela.




Cada elétron possui uma quantidade de carga elétrica conhecida como carga elétrica elementar.


Essa carga elétrica tem valor conhecido, e se multiplicarmos o valor da carga elétrica elementar pelo número de elétrons que passa pela secção teremos a quantidade total de carga elétrica.




A carga elétrica no sistema internacional é medida em Coulomb.




A intensidade da corrente elétrica será maior quanto mais elétrons passarem pela secção, ou seja, quanto mais cargas passarem no menor intervalo de tempo.


Por isso, define-se corrente elétrica como sendo a quantidade de carga elétrica dividida pelo tempo.


A unidade de corrente elétrica no sistema internacional é o coulomb por segundo, que é conhecido por ampère.


Corrente iônica

Até agora, falamos da corrente elétrica em meios sólidos para o entendimento desse conceito.




Mas a corrente elétrica não é uma exclusividade dos meios

sólidos, elas podem ocorrer nos gases e nos líquidos.

Nesses casos, não são só os portadores de carga negativa que entram em movimento, mas os portadores de carga positiva: os íons também entram em movimento.


Considere uma solução iônica onde são colocados dois eletrodos que estão ligados a uma bateria.


Tal procedimento fará que um eletrodo adquira carga positiva e outro, carga negativa.


Com isso, teremos o movimento dos íons negativos e dos elétrons no sentido do eletrodo positivo, e os íons positivos no sentido do eletrodo negativo.


Sentido convencional da corrente elétrica

O sentido da corrente elétrica é dado por uma convenção, que para muitos é um tanto estranha.




Essa convenção diz que o sentido da corrente elétrica será

o mesmo sentido de movimento das cargas positivas.

Ela se torna estranha, pois sabemos que a corrente elétrica que mais aparece no nosso dia a dia é aquela em que os elétrons estão em movimento, e esses elétrons são de carga negativa.


Por isso, em uma corrente de elétrons, o sentido convencional da corrente será de oposição ao movimento dos elétrons.

O sentido real da corrente é ao contrário do sentido convencional – do negativo para o positivo.



DDP – Diferença de potencial

Tensão elétrica é a diferença de potencial elétrico entre dois pontos.


Sua unidade de medida é o volt, o nome é homenagem ao físico italiano Alessandro Volta.




No Brasil a palavra "voltagem" é usada coloquialmente, o modo correto de se referir a quantidade de Volts, é "tensão".

Em Portugal, apesar de, em linguagem técnica, se preferirem, os termos "diferença de potencial" ou "tensão", é igualmente reconhecido o uso de "voltagem".

Para facilitar o entendimento do que seja a tensão elétrica pode-se fazer um paralelo desta com a pressão hidráulica.


Quanto maior a diferença de pressão hidráulica entre dois pontos, maior será o fluxo, caso haja comunicação entre estes dois pontos.


O fluxo (que em eletrodinâmica seria a corrente elétrica)

será assim uma função da pressão hidráulica (tensão elétrica) e da oposição à passagem do fluido (resistência elétrica).



Aquilo a que chamamos habitualmente de "voltagem" é a diferença de potencial (d.d.p.) da pilha ou bateria.

Essa d.d.p. está relacionada com a energia que a pilha ou bateria transfere para as cargas elétricas que vão percorrer o circuito.

Podemos dizer então que a bateria de 12 Volt fornece mais energia às cargas elétrica de um circuito do que a pilha de 1,5 Volt.

As Usinas hidroelétrica geram energia alternada de tensão de até 480 kV.


Como determinar a Diferença de Potencial

A d.d.p. de uma fonte de energia ou aos terminais de qualquer componente elétrica em funcionamento pode ser determinada utilizando um Voltímetro.


Potência

Quando falamos que a potência de um carro é 100 cv, que a potência de um chuveiro elétrico é 3000 W e que a potência de um parelho de som é 500 W estamos falando, em todos estes casos, da mesma grandeza física.




Na física, potência pode ser definida como a quantidade de energia liberada em certo intervalo de tempo, ou seja, quanto maior a energia liberada em um menor intervalo de tempo maior será a potência.




Sabemos que a energia é uma grandeza física que pode ser definida pela quantidade de trabalho que corpo pode realizar.


Para entender a definição de potência, basta pensar no trabalho realizado em um intervalo de tempo.


Por exemplo, o resistor de um chuveiro elétrico libera 3000 Joules por segundo, logo a potência elétrica deste resistor será 3000 Joules divididos por 1 segundo, ou seja, 3000 Watts.




A unidade de potência é o watt em homenagem ao engenheiro escocês James Watt (1736-1819) que inventou a primeira máquina a vapor.


Cálculo de Potência

Muitas vezes, na propaganda de certos produtos de eletrônicos, destaca-se a sua potência.


Podemos citar como exemplos os aparelhos de som, os chuveiros e as fontes dos microcomputadores.


Sabemos que esses aparelhos necessitam de energia elétrica para funcionar.


Ao receberem essa energia elétrica, eles a transformam em outra forma de energia.


No caso do chuveiro, por exemplo, a energia elétrica é transformada em energia térmica.


Quanto mais energia for transformada em um menor intervalo de tempo, maior será a potência do aparelho.


Portanto, podemos concluir que potência elétrica é uma grandeza que mede a rapidez com que a energia elétrica é transformada em outra forma de energia.


Considere então um dispositivo que esteja participando de um circuito elétrico.


Esse dispositivo é chamado de bipolo e possui dois terminais, um por onde a corrente entra e outro por onde a corrente sai.


Pilhas e lâmpadas são exemplos de bipolos.


Para a corrente passar por esse bipolo, é necessário que seja estabelecida uma diferença de potencial (U) nos seus terminais, ou seja, uma tensão.


Sabendo-se o valor dessa tensão e o valor da corrente que flui pelo bipolo.


Energia elétrica

Gerador é um dispositivo utilizado para a conversão da energia mecânica, química ou outra forma de energia em energia elétrica.




• Tipos de geradores que convertem energia mecânica em elétrica:


Gerador Síncrono

Gerador de indução ou Gerador Assíncrono


Gerador de Corrente contínua


Motores elétricos desempenham a função inversa, ou seja, convertem energia elétrica em energia mecânica e construtivamente são semelhantes aos geradores, pois se baseiam no mesmo princípio de conversão.




Tipos de motores elétricos que convertem energia elétrica em energia mecânica:


Motor Síncrono

Motor de indução ou Motor Assíncrono


Motor de corrente contínua


• Tipo de gerador que converte energia química em elétrica


- Geradores de célula à combustível ou célula de combustível.

- Pilhas


• Tipo de gerador que converte diretamente a energia luminosa do Sol em elétrica.


Geradores fotovoltaicos.

O tipo mais comum de gerador elétrico, o dínamo (gerador de corrente contínua) de uma bicicleta, depende da indução 


eletromagnética para converter energia mecânica em energia elétrica, a lei básica de indução eletromagnética é baseada na Lei de Faraday de indução combinada com a Lei de Ampère que são matematicamente expressas pela 3º e 4º equações de Maxwell respectivamente.


O dínamo funciona convertendo a energia mecânica contida na rotação do eixo do mesmo que faz com que a intensidade de um campo magnético produzido por um Ímã permanente que atravessa um conjunto de enrolamentos varie no tempo, o que pela Lei da indução de Faraday leva a indução de tensões nos terminais dos mesmos.




A energia mecânica (muitas vezes proveniente de uma turbina hidráulica, à gás ou a vapor é utilizada para fazer girar o rotor, o qual induz uma tensão nos terminais dos enrolamentos que ao serem conectados a cargas levam a circulação de correntes elétricas pelos enrolamentos e pela carga.


No caso de um gerador que fornece uma corrente contínua, um interruptor mecânico ou anel comutador alterna o sentido da corrente de forma que a mesma permaneça unidirecional independente do sentido da posição da força eletromotriz induzida pelo campo.


Os grandes geradores das usinas geradoras de energia elétrica fornecem corrente alternada e utilizam turbinas hidráulicas e Geradores Síncronos.


Há muitos outros tipos de geradores elétricos.


Geradores eletrostáticos como a máquina de Wimshurst, e em uma escala maior, os geradores de van de Graaff, são principalmente utilizados em trabalhos especializados que exigem tensões muito altas, mas com uma baixa corrente e potências não muito elevadas.


Isso se deve pelo fato de nesses tipos de gerador, a densidade volumétrica de energia não é pequena, ou seja, para que se tenha uma grande quantidade de energia sendo convertida é necessário um grande volume por parte da estrutura do gerador.


O mesmo não ocorre nos geradores que operam baseados em princípios eletromagnéticos pois os mesmos permitem uma concentração volumétrica de energia bem maior.




Um dos exemplos de aplicação é no fornecimento de energia para os aceleradores de partículas.


MATERIAIS ISOLANTES

Quando se trata de campos eletrostáticos, o meio no qual os mesmos existem deverá ter resistividade muito alta, ou seja, deverá opor-se tanto quanto possível, à passagem de corrente elétrica de condução, motivo pelo qual recebe o nome de dielétrico.




O material que o constitui é designado por isolante.


O papel dos dielétricos na eletrotecnia é muito importante e tem dois aspectos:


· realizam o isolamento entre os condutores, entre estes e a massa ou a terra, ou, ainda, entre eles e qualquer outra massa metálica existente na sua vizinhança;


· modificam, em proporções importantes, o valor do campo elétrico existente em determinado local.


O processo principal, característico para qualquer dielétrico, que se produz quando sobre ele atua uma tensão elétrica, é a polarização, ou seja, o deslocamento limitado de cargas ou a orientação das moléculas dipolares.


Os fenômenos devidos a polarização de um dielétrico podem ser julgados através do valor da constante dielétrica e pelos ângulo de perdas dielétricas, se a polarização vem acompanhada de dissipação de energia que provoca o aquecimento do dielétrico.


Neste aquecimento tomam parte as poucas cargas livres que existem no material, as quais determinam o aparecimento de uma corrente de fuga, que passa através do dielétrico e sua superfície.


A maioria dos dielétricos se caracteriza por um deslocamento elétrico das cargas como uma função linear do campo elétrico que se cria no dielétrico.


Todo dielétrico inserido em um circuito elétrico pode ser 

considerado como um capacitor de capacidade determinada.

· Ao primeiro tipo de polarização pertencem as polarizações eletrônica e iônica que ocorre de um modo praticamente instantâneo sob a ação de um campo elétrico e sem dissipação de energia, se caracterizando por um deslocamento elástico de íons ou elétrons ligados ao núcleo de um átomo.




A polarização eletrônica diminui com o aumento da temperatura, devido a dilatação do dielétrico e conseqüente diminuição do número de partículas por unidade de volume.


Já a polarização iônica é intensificada com o aumento da 

temperatura, uma vez que se debilitam as forças elásticas 
interiônicas quando aumentam as distâncias entre os íons quando o corpo se dilata;

· A polarização dipolar difere da eletrônica e da iônica com 

relação ao movimento térmico das partículas.

As moléculas dipolares, que se encontram em movimento térmico caótico, se orientam parcialmente pela ação do campo, o qual é a causa da polarização.


A polarização dipolar é possível se as forças moleculares não impedirem os dipolos de se orientarem de acordo com o campo.


Ao aumentar a temperatura se enfraquecem as forças moleculares e diminui a viscosidade da substância, de forma que se intensifica a polarização dipolar.


No entanto, ao mesmo tempo aumenta a energia dos movimentos térmicos das moléculas, o que faz que diminua a influência orientadora do campo.


De acordo com isto, a polarização dipolar aumenta a princípio com o aumento da temperatura, enquanto que o enfraquecimento das forças moleculares influencia mais que a intensificação do movimento térmico caótico.




Depois, quando este última se intensifica, a polarização dipolar cai a medida que aumenta a temperatura;


· A polarização estrutural aparece apenas em corpos amorfos e em sólidos cristalinos polares como no caso do vidro, onde um corpo amorfo é parcialmente constituído de partículas de íons.


A polarização estrutural vem a ser a orientação de estruturas complexas de material, perante a ação de um campo externo, aparecendo devido a um deslocamento de íons e dipolos, na presença de aquecimento devido a perdas Joule.


Quanto a sua dependência com a temperatura têm comportamento semelhante à polarização dipolar.




As particularidades da polarização permitem dividir todos os dielétricos em vários grupos.


Ao primeiro grupo podem pertencer os dielétricos que possuem somente a polarização eletrônica, por exemplo as substâncias sólidas não polares ou debilmente polares em estado cristalino ou amorfo (parafina, enxofre, poliestireno), assim como os líquidos e gases não polares ou debilmente polares (benzeno, hidrogênio e outros).


Ao segundo grupo pertencem os dielétricos que possuem ao mesmo tempo polarização eletrônica e dipolar.


São estas as substâncias polares (dipolares) orgânicas, 

semilíquidas e sólidas (algumas resinas, celulose, alguns 
hidrocarbonetos cloretados, etc).

Ao terceiro grupo pertencem os dielétricos inorgânicos sólidos com polarização eletrônica, iônica e íon-eletrônica dipolar.


Este grupo pode ser dividido no subgrupo: 


1) com polarização eletrônica e iônica ao qual pertencem principalmente as substâncias cristalinas com empacotamento denso de íons (quartzo, mica, sal e óxido de alumínio) e,

o subgrupo: 

2) com polarização eletrônica, iônica de dipolar ao qual pertencem os materiais que contem fase vítrea (porcelana) e os dielétricos cristalinos com empacotamento não denso.

A um quarto grupo pertencem os componentes ferroelétricos, que se caracterizam por ter polarização espontânea (nos campos elétricos alternados, os materiais com polarização espontânea se caracterizam por uma considerável dissipação de energia), eletrônica e iônica combinadas.


Seriam estes materiais o sal de Seignette e o de Rochelle, titanato de Bário e outros.


Esta classificação dos dielétricos permite que suas propriedades elétricas sejam até certo ponto pré-determinadas.


Comportamento dos Dielétricos em Serviço

Uma vez que uma certa porção de isolamento apresenta uma dada resistência, podemos falar em resistividade do material, se bem que esta seja influenciada por uma diversidade de fatores.




Por exemplo, a temperatura afeta sensivelmente o valor da 

resistividade e, de uma maneira geral, o aumento da temperatura provoca uma diminuição da resistividade dos materiais isolantes.

Resistência de Isolamento - O dielétrico impede a passagem da corrente elétrica enquanto o campo elétrico nele estabelecido não ultrapassar um determinado valor que depende da natureza do dielétrico e das suas condições físicas.


Este impedimento porém, não é total pois, se uma determinada porção do isolante estiver submetida a uma tensão U, ela será atravessada por uma corrente I, sendo o quociente entre U e I designado por resistência de isolamento.


A resistência de isolamento não é constante, isto é, os isolantes não obedecem, de uma forma geral, à lei de Ohm.


No caso do comportamento dos gases, já vimos que só para valores baixos de tensão estes obedecem àquela lei.


Resistência Superficial - No caso dos isolantes sólidos de muito grande resistividade, a resistência através da sua massa é também elevada, sendo muito pequena a corrente que os atravessa.


Ora acontece que, pela acumulação de poeira e umidade na superfície das peças isoladoras, se forma um novo caminho para a passagem da corrente elétrica, o qual se diz ser superficial.


Isto acontece especialmente nas peças isoladoras expostas ao tempo, como por exemplo, os isoladores de linhas de transmissão aéreas.


À resistência do novo circuito é dado o nome de resistência superficial e, neste caso, a resistência de isolamento é dos dois circuitos em paralelo, superficial e de massa.


O aumento da temperatura faz atenuar a importância da resistência superficial, pois a de massa decresce em relação àquela.


Rigidez Dielétrica - Para poder exprimir numericamente a capacidade de um determinado material isolante suportar tensões elevadas, define-se uma grandeza a que se dá o nome de rigidez dielétrica e que é definida como sendo o valor do campo elétrico para o qual se dá a ruptura do isolante.


Esta grandeza está longe de ser constante para cada material, pois depende de muitos fatores, tais como a espessura do isolante, as dimensões e forma dos eletrodos utilizados para a aplicação da tensão, a freqüência da tensão aplicada, o número de aplicações de tensão na unidade do tempo (fadiga do material), a temperatura, grau de umidade, etc.


Como é difícil conhecer o valor do campo no momento da ruptura, visto ele não ser normalmente uniforme, é costume definir-se a rigidez dielétrica (RD) simplesmente pelo quociente da tensão aplicada no momento da ruptura pela espessura do isolamento e como a R.D. varia com a espessura do isolante é costume indicar esta ao referir aquela.


Por exemplo para a mica a RD varia de 600 a 750 kV/cm, medida para espessura de 1mm.


Rigidez dielétrica superficial - No caso dos isolantes sólidos, pode acontecer que o arco disruptivo, em vez de atravessar a sua massa, salte pela sua superfície.


Ao quociente da tensão pela distância entre os condutores é dado o nome de rigidez dielétrica superficial.


Esta depende, evidentemente, da forma do isolante e do estado da sua superfície.


Perdas nos dielétricos - Nos dielétricos sujeitos a uma tensão contínua verifica-se uma perda por efeito Joule tal como nos condutores.


A corrente de perdas, se bem que muito limitada, dá lugar a um certo aquecimento.


Estas perdas não têm importância a não ser quando dão lugar a um aquecimento permitindo, por conseqüência, maior corrente e maiores perdas.


Nos dielétricos sujeitos a uma tensão alternada dá-se, da mesma forma, a perda por efeito Joule, mas surge um outro fenômeno que origina perdas e que tem o nome de histerese dielétrica.

A energia perdida é também transformada em calor.


O nome deste fenômeno é dado pela analogia existente com a histerese magnética.



A explicação física das perdas por histerese dielétrica é dada por consideração da falta de homogeneidade do dielétrico.


Ângulo e Fator de Perdas - Quando um dielétrico está sujeito a um campo elétrico alternado, a corrente que o atravessa deveria estar avançada de p/2 em relação à tensão, mas pelo fato de existir uma queda ôhmica através da massa do isolante, haverá uma componente da corrente que fica em fase com a tensão e o ângulo de diferença de fase será (p/2 - d), sendo d chamado ângulo de perdas. Este valor pode ir de poucos minutos, se o dielétrico for bom, até a alguns graus, se for de má qualidade.


Ruptura dos Dielétricos - Quando o campo elétrico a que um dado dielétrico está sujeito ultrapassa um determinado valor se dá a ruptura do dielétrico.


A maneira como esta se produz e as suas conseqüências são porém, diferentes conforme o tipo de dielétrico.


Assim, é compreensível que, se a ruptura se produzir num dielétrico fluido, a matéria atingida pela descarga é logo substituída por outra e, se o fenômeno não repetir, a sua única conseqüência é o aparecimento de partículas carbonizadas no seio do fluido.


No caso dos dielétricos sólidos já assim não acontece, pois a descarga implica a sua destruição no ponto em que a ruptura se verifica.


Efeito Corona - Se, entre dois condutores, existir uma grande diferença de potencial, junto às suas superfícies poderá surgir um campo elétrico de valor tal que o gás ou o ar, no meio do qual se encontram seja ionizado.




Se isto acontecer, o efeito obtido é equivalente ao aumento das dimensões dos condutores, visto o gás ou o ar ionizado se tornar condutor também.


Nessas condições, dá-se como que uma aproximação dos condutores e um aumento da sua superfície.


Estes dois fatores que se verificam tendem a modificar o campo nos dois sentidos, prevalecendo um ou outro conforme as circunstâncias.


De uma maneira geral, podemos dizer que, se os condutores forem de pequena seção e estiverem bastante afastados, o efeito da ionização traduz-se por uma diminuição do campo na zona circunvizinha.


Desta forma, ionizada a primeira camada que envolve os condutores, a ionização não prossegue nas camadas seguintes e o fenômeno não progride.


A ionização limita-se como que a uma bainha à volta dos condutores, visível sob o aspecto de uma luz azulada e sensível pelo cheiro a ozônio.


Esta situação é aquilo a que chamamos de efeito coroa ou corona.


As cargas elétricas deixam de encontrar resistência e passam em grande quantidade de um condutor para o outro, sob a forma de um arco.


É a descarga elétrica.


Materiais Isolantes

Conforme a aplicação, alguns isolantes apresentam, em certos casos, nítida superioridade sobre outros, sendo inteiramente inadequados em casos diferentes.


O exemplo da porcelana é típico: sendo material excelente para isolamento de linhas aéreas, pelas suas propriedades dielétricas, químicas e mecânicas, é inteiramente inadequada aos cabos isolados, pela falta de flexibilidade.


A borracha apresenta excelentes qualidades químicas, mecânicas e elétricas, de modo que é geralmente utilizada nos fios e cabos, mas não é completamente a prova de água, não resiste a temperaturas elevadas, é atacável pelos óleos e pelo ozona.


O fato de um material apresentar propriedades elétricas muito superiores a outros ( alta rigidez dielétrica, alta resistividade, baixas perdas) não é suficiente para determinar o seu emprego se as qualidades mencionadas não forem acompanhadas de propriedades químicas e mecânicas adequadas.


Assim, às boas propriedades elétricas pode corresponder uma redução de espessura do isolante a empregar nos condutores das máquinas 
elétricas; é porém necessário que o material seja suficientemente 

forte para resistir aos esforços mecânicos durante a construção e o funcionamento.


Uma primeira classificação dos isolantes pode ser feita de acordo com o seu estado:


I - Gases: Ar, anidrido carbônico, azoto, hidrogênio, gases raros, hexafluoreto de enxofre.


II - Líquídos:


A - Óleos minerais: óleos para transformadores, interruptores e cabos.


B - Dielétricos líquidos à prova de fogo: Askarel.


C - Óleos vegetais: Tung, linhaça.


D - Solventes: (empregados nos vernizes e compostos isolantes) 


Álcool, tolueno, benzeno, benzina, terebentina, petróleo, nafta, acetatos amílicos e butílicos, tetracloreto de carbono, acetona.


III - Sólidos aplicados em estado líquido ou pastoso:


A - Resinas e plásticos naturais: resinas fósseis e vegetais, 

materiais asfálticos, goma laca.

B - Ceras: cera de abelhas de minerais, parafina.


C - Vernizes e lacas: preparados de resinas e óleos naturais, produtos sintéticos, esmaltes para fios, vernizes solventes, lacas.


D - Resinas sintéticas: (plásticos moldados e laminados) resinas fenólicas, caseína, borracha sintética, silicones.


E - Compostos de celulose: (termoplásticos) acetato de celulose, nitrocelulose.


F - Plásticos moldados a frio: cimento portland empregado com resinas ou asfaltos.


IV - Sólidos:


A - Minerais: quartzo, pedra sabão, mica, mármore, ardósia, asbesto.


B - Cerâmicos: porcelana, vidro, micalex.


C - Materiais da classe da borracha: borracha natural, guta-percha, neoprene, buna.


D - Materiais fibrosos (tratados e não tratados): algodão, seda, linha, papel, vidro, asbesto, madeira, celofane, rayon, nylon.


Além desta classificação cujo critério é a natureza dos materiais isolantes, estes podem ser classificados visando a sua aplicação, especialmente na construção de máquinas e aparelhos elétricos, cuja temperatura é limitada não pelos materiais condutores ou magnéticos (que são metálicos) e sim pelos isolantes.


A durabilidade destes depende de fatores diversos, entre os quais predomina a temperatura, como mostrado na tabela a seguir.


A duração dos materiais utilizados para isolamento de máquinas e aparelhos elétricos depende de vários fatores, tais como a temperatura, os esforços elétricos e mecânicos, as vibrações, a exposição a produtos químicos, umidade e a sujeira de qualquer espécie.


A Lei de Ohm é a chave da maioria das fórmulas necessárias a um bom aprendizado, veja abaixo: