NIKOLA TESLA

Nikola Tesla, muito mais que um Gênio, um humanista que se preocupava com o Planeta e seus habitantes, não teve o merecimento devido.



Nikola Tesla nasceu em 1856 na província de Lika, que abrange regiões da Croácia e da Eslovénia.



Há indícios de que Tesla tenha sido assassinado.



Após o seu falecimento, todas as suas anotações científicas desapareceram.



Nikola Tesla viveu incompreendido e perseguido durante a sua existência, mas deixando como exemplo uma história de vida que se encontra registrada na memória da misteriosa fênix que, sempre viva, há de ressuscitar quantas vezes se fizer necessário.



Nikola Tesla foi sempre guiado pelo ideal de colocar o seu trabalho científico a serviço do bem-estar do homem, e chegou a passar por situações de verdadeira penúria financeira.



O uso contínuo e prolongado das fontes de energia usadas na época constituiriam, a longo prazo, uma ameaça à manutenção das reservas naturais do planeta, ele passou décadas tentando descobrir uma fonte energética não poluente e que não destruísse a natureza.



E, para desespero das grandes empresas geradoras de energia, ele apresentou um surpreendente projeto de construção de megacentrais de energia elétrica o qual abria, de forma concreta, a possibilidade de que esta viesse a ser consumida pelos usuários sem qualquer custo.



Isso foi o suficiente para que Tesla se tornasse um incômodo para muita gente e um perigo para uma sociedade que era dominada pelo materialismo e pelo egoísmo.



Por ter levado às últimas conseqüências seu ideal de ser efetivamente útil à sociedade, o inventor do sistema que possibilitou o aproveitamento doméstico e industrial da eletricidade – a qual é, como se sabe, responsável pelo enorme progresso tecnológico ocorrido no século XX – foi, em vida, perseguido, desprezado, ignorado e até humilhado, tendo chegado ao ponto de passar os últimos anos de sua existência na solidão de um quarto de hotel e na miséria.



Postumamente, a única homenagem que lhe prestam é o banimento de seu nome da história da ciência que é ensinada nas universidades.



Nem mesmo a grande maioria dos docentes da área da Física costumam estar a par do assunto.



Se interessava por coisas que passavam despercebidas às outras pessoas, e, em especial, por determinados fenômenos da natureza que ele constantemente observava.



Tesla estudou na renomada Escola Politécnica de Gratz, Styria, onde tinha aulas laboratoriais de eletricidade com o físico Poeschl.



Enquanto este fazia demonstrações com um dínamo que alimentava um motor, Tesla notou que os contatos elétricos em forma de escovas em dispositivos chamados “comutadores” produziam faíscas.



E, durante uma aula, expôs ao professor a sua hipótese de que deveria ser possível operar o motor sem esses dispositivos usando corrente alternada ao invés da corrente contínua (ou constante) que se usava na época.



Poeschl disse-lhe então que isso era inviável, dado que a eletricidade flui em uma direção enquanto que o campo magnético tem dois pólos, cada um dos quais atuando de forma oposta sobre a corrente.



E que, portanto, o uso de um comutador era indispensável para alterar, no momento certo, a direção da corrente na armadura giratória.



E completou sua argumentação afirmando com ceticismo:



“O Sr. Tesla poderá realizar obras grandiosas, mas não esta, com certeza.



Pretender realizá-la é o mesmo que pensar em transformar uma força retilínea como a da gravidade num esforço giratório.



É um esquema do tipo de movimento perpétuo.



Uma idéia impossível.”



A verdade é que Poeschl raciocinou de forma lógica, considerando que não seria possível, através de uma corrente alternada (ou seja, uma corrente elétrica que varia no tempo em forma periódica e cuja direção muda uma vez a cada ciclo), fazer com que o motor girasse sempre numa mesma direção.



Acreditava-se que o movimento realizado por ele mudaria de direção a cada vez que a corrente também o fizesse.



Era devido a esta crença que se usava a corrente contínua, que flui sempre na mesma direção.



Durante algum tempo, Tesla não questionou a opinião do professor, mas algo lhe dizia que sua idéia era realmente viável, e ele não a esqueceu.



Em 1882, passeando em companhia de um amigo e sentindo-se inspirado diante da beleza de um pôr-do-sol que contemplava ao mesmo tempo em que declamava um poema de Goethe, Tesla concebeu a idéia que mudaria o mundo para sempre:



O motor de corrente alternada.



Este genial invento, notável por sua simplicidade, aproveita a energia elétrica tal qual é produzida naturalmente pelos dínamos.



Ele é baseado no conceito de campo magnético giratório, obtido através de várias correntes alternadas defasadas entre si. 



Com o campo magnético giratório, os complicados e caros comutadores deixavam de ser necessários.



Para surpresa de todos os estudiosos da área da Física, uma hipótese que até então parecera absurda apresentava-se agora como uma realidade.



Com o uso da corrente alternada, foi possível desenvolver os transformadores, através dos quais obtém-se facilmente altas tensões elétricas, necessárias para o transporte de grandes quantidades de energia elétrica sem risco de queima dos fios de condução.



No sistema de corrente contínua, a ausência de transformadores implicava o uso de baixas tensões e altas correntes, sendo necessários então cabos extremamente grossos.



Porém, essa solução era tão cara que se fazia impraticável para distâncias acima de alguns quilômetros.



Além disso, as perdas de energia que este sistema ocasionava eram enormes.



Assim, para iluminar Nova Iorque, por exemplo, teriam sido necessárias cem estações geradoras de potência de corrente contínua, e com a tecnologia da corrente alternada apenas uma já bastava, não só para cumprir a mesma função como também para atingir uma área ainda maior.



Tornou-se possível, portanto, transportar a energia elétrica das grandes centrais geradoras, as quais poderiam tornar utilizável o enorme potencial energético oferecido pela natureza (tal como ocorre, por exemplo, nas usinas hidroelétricas), até distâncias de milhares de quilômetros da fonte, viabilizando-se assim o uso extensivo da eletricidade.



Compreendendo o importante significado de sua descoberta, Tesla tentou convencer investidores Europeus a financiarem a construção dos sistemas de corrente alternada.



Suas tentativas, porém, foram infrutíferas.



Em 1884, ele chegou aos Estados Unidos e apresentou sua descoberta ao célebre Thomas Alva Edison.



Na época, todas as companhias comerciais de energia elétrica, inclusive a do próprio Edison, estavam baseadas em dispositivos de corrente contínua.



Devido a interesses econômicos, e também por falta de humildade em reconhecer a superioridade da idéia de Tesla em relação às suas próprias idéias, Edison não conseguiu avaliar adequadamente o projeto do inventor europeu, tendo-se limitado a tachá-lo de inviável.



Apesar do desinteresse demonstrado por Edison na ocasião, Tesla foi aceito na Continental Edison Company graças a uma carta de recomendação escrita por um gerente dessa mesma Companhia em Paris, onde o inventor europeu trabalhara.



A carta de recomendação dirigida a Edison dizia:



“Conheço dois grandes homens, e você é um deles;



o outro é esse jovem”.



Devido ao seu incrível engenho técnico, Tesla conseguiu conquistar a admiração de Edison, e seu prestígio junto a ele aumentou vertiginosamente em pouco tempo.



Propôs então modificar os geradores fabricados por esse outro inventor a fim de que se tornassem mais eficientes, diante do que este prometeu pagar-lhe U$S 50.000,00 caso ele conseguisse de fato realizar essa proeza.



Após árduo trabalho, Tesla projetou e construiu vinte e quatro novos tipos de dínamo, os quais, efetivamente, se revelaram superiores aos modelos antigos.



Ao inquirir Edison acerca do pagamento prometido, Tesla recebeu a decepcionante resposta de que o oferecimento havia sido apenas uma brincadeira típica do humor americano.



Por esta ofensa, Nikola Tesla se demitiu da empresa e partiu em busca de algum meio de dar a conhecer ao mundo seu grande invento.



Os dois anos que se seguiram a esse episódio (1886 e 1887) foram marcados por grandes dificuldades para Tesla.



Durante esse período, sua situação financeira se agravou tanto que ele chegou a passar fome, e foi graças a pequenos trabalhos de conserto de aparelhos elétricos que conseguiu sobreviver.



Finalmente, um dos associados da companhia de telégrafos Western Union interessou-se em investir na fabricação e utilização das lâmpadas fluorescentes desenvolvidas por ele e, assim, ambos montaram a Tesla Electric Company.

Vários meses de luta se seguiram, durante os quais ele desenvolveu uma grande variedade de acessórios para seu sistema de corrente alternada, como os motores e transformadores multifásicos e outras peças para o sistema de distribuição de energia elétrica.



Tal foi o acúmulo de patentes registradas então por Tesla que não foi mais possível ignorá-lo.

Em maio de 1888, o Instituto Americano de Engenheiros Elétricos o convidou a dar uma palestra.

O convite foi aceito, ele discorreu então, sobre o sistema de corrente alternada, demonstrando, através de explicações criteriosamente embasadas nas leis da Física, as incríveis vantagens de seus inventos. 

Com essa exposição, Tesla ofereceu ao público uma descrição bastante aproximada daquilo que é o sistema elétrico usado hoje em dia no mundo inteiro.



Depois daquela palestra, o inventor e empresário George Westinghouse farejou um verdadeiro filão no invento de Tesla e reconheceu a sua superioridade inquestionável, apesar da feroz propaganda que Edison fazia contra o sistema de corrente alternada.

Decidiu então agir rápido.

Visitou-o em seu laboratório e ofereceu-lhe o valor de um milhão de dólares por todas as patentes associadas a essa corrente alternada, além de um dólar por cada cavalo de potência fornecido.

Posteriormente, Westinghouse, tendo mudado de idéia acerca deste segundo item do contrato, induziria Tesla a cancelá-lo.



Um passo decisivo no reconhecimento da superioridade do sistema de corrente alternada sobre o de corrente contínua foi dado no momento em que foi decidida a construção de uma estação geradora de potência nas cataratas do Niágara.

O sistema de Tesla já havia provado a sua eficácia experimental, mas ainda não havia sido utilizado em grande escala.

A inauguração da usina em 1892 representou simultaneamente, no que concerne à geração de potência em grande escala, a consagração do sistema de Tesla e a aposentadoria da tecnologia de corrente contínua defendida por Thomas Edison.



Em 1890, Tesla já havia desenvolvido o primeiro tubo eletrônico destinado a ser usado como detector num sistema de rádio. 

Em 1892, ele descreveu seu invento em palestras em Londres e Paris e, no ano seguinte, apresentou em detalhes o funcionamento de seu sistema de transmissão e recepção por rádio no Instituto Franklin na Filadélfia.

Tesla passou imediatamente a desenvolver o sistema de transmissão de potência elétrica sem fios.

Marconi, que conhecia bastante bem os experimentos de Tesla, somente em 1895 conseguiu produzir ondas eletromagnéticas em seu laboratório.

Sua experiência  assemelhava-se a uma que havia sido realizada em 1887 pelo físico alemão Heinrich Hertz. 

Através dessas ondas, Marconi foi capaz de enviar e receber mensagens telegráficas a uma distância um pouco superior a dois quilômetros.



Rapidamente, ele aperfeiçoou seu sistema e fez demonstrações públicas de transmissão de mensagens a distância, testando espaços cada vez maiores.


Em 1901, Tesla referiu-se ao italiano nos seguintes termos:

“Marconi é um bom rapaz, vamos deixá-lo continuar.

Ele está usando dezessete das minhas patentes”.

Durante bastante tempo ele aceitou, sem exigir nada em troca, o “bom uso” que Marconi estava dando a essas patentes.

Só quando este se lançou ferozmente à exploração comercial das mesmas sem sequer mencioná-las é que Tesla entrou com um processo na justiça americana reclamando os seus direitos.

Era 1914.

O veredicto, em primeira instância, foi favorável a Marconi, e foi preciso esperar até 1943 (ou seja, quase trinta anos!) para que a Suprema Corte dos EUA, aceitando o recurso, concedesse a Tesla o direito de ser reconhecido como aquilo que de fato era:

O inventor do rádio.

Quando isto aconteceu, ele sequer pôde desfrutar de sua vitória, uma vez que, dois meses antes, havia deixado este mundo.

Tesla havia desenvolvido algo que superava as idéias originais de Hertz.

Tratava-se de uma série de alternadores de alta freqüência, precursores daqueles que são usados atualmente nos rádios de onda contínua.



Este invento se uniria à célebre “bobina de tesla”, dispositivo por ele apresentado publicamente já em 1891 que converte um sinal de baixa tensão e alta corrente em outro de alta tensão e baixa corrente, utilizando altas freqüências.

Este instrumento, que é usado até hoje na maioria dos aparelhos de rádio, TV e nos monitores de computador, inclusive até hoje, é notável por sua simplicidade e utilidade.

Tesla acreditava que a transmissão de sinais de rádio é um fenômeno de condução elétrica que pode se dar através do ar ou da terra, e não apenas um fenômeno de radiação.

Esta descrição proposta por ele virou tabu na ciência oficial, que aceitou como válido apenas o modelo hertziano de rádio. 

Tesla defendia seu modelo corajosamente, apontando as vantagens da transmissão de sinais de rádio a baixa freqüência através da terra sobre a transmissão em altas freqüências pelo ar de Hertz.



Mencionava, por exemplo, o fato de que seu modelo consumia menos energia e não precisava de antenas. 

Porém, em decorrência da intensa campanha que Marconi havia feito contra ele, seus argumentos acabaram sendo ignorados pela comunidade científica.

Durante a Primeira Guerra Mundial, a eficácia das idéias de Tesla pôde ser demonstrada na prática, embora de forma acidental.

Foi então descoberto que era possível ouvir as conversas dos adversários de guerra conectando auriculares a varas condutoras enterradas.

A possibilidade de enviar sinais elétricos de baixa freqüência por terra foi demonstrada ainda por Nathan Stubblefield e pelo pesquisador James Harris Rogers.

Este último eliminou por completo as antenas aéreas e verificou que o rádio “subterrâneo”, quando sob variações atmosféricas e climáticas, era mais estável que o outro.

Outra contribuição importante de Tesla foi o “segredo da sintonia”, ou “princípio de quarto de onda”, um método simples para calcular o comprimento de uma bobina de sintonia num circuito de rádio.



Esse método é utilizado até hoje para calcular o comprimento das antenas em circuitos de sintonia.

Energia ao alcance de todos:

O sistema mundial de transmissão de energia.

“Não há uma crise de energia. Há apenas uma crise de ignorância.”
                      (R. Buckminster Fuller)

O que Tesla pretendia não era, simplesmente, tornar acessível a todos o uso da energia elétrica.

Sua capacidade de visão o levou a lutar por um ideal ainda mais abrangente:

a transmissão de energia elétrica sem fios mediante um sistema que permitiria distribuí-la pelo mundo inteiro, fazendo com que ela passasse a ser propriedade da humanidade.

As casas, fábricas, trens, aviões, submarinos, carros e barcos receberiam esta energia através de antenas que os conectariam às torres receptoras locais.

Esta seria a realização mais importante de toda a sua carreira.

O coração desse sistema era a “bobina de Tesla”, dispositivo capaz de produzir correntes alternadas com tensões de até milhões de volts e altas correntes e, ainda, com freqüências variadas.

Tesla descobriu que, se uma lâmpada fluorescente era colocada a pouca distância desse dispositivo, ela se acendia e irradiava luz sem que, para tanto, houvesse necessidade de fios.

O fenômeno da ressonância elétrica era a chave daquela descoberta.

Em 1891, Tesla havia acabado de se tornar cidadão norte-americano, e essa nova tecnologia iria ser o seu presente ao país que o acolhera e ao mundo.

Através dela, seria possível transmitir energia instantaneamente, a qualquer distância, através do ar.

E isto significava energia gratuita para todos.

Um dos assistentes de Tesla questionou as implicações desse plano de distribuição de energia.

Ele perguntava se uma empresa provedora de energia elétrica aceitaria fornecer sua mercadoria gratuitamente e se Tesla seria “autorizado” a introduzir um sistema como esse.

Mas essas dúvidas só conseguiram exasperar o inventor, pois ele estava convicto de que seu plano iria ser aceito simplesmente porque se tratava de algo correto e que deveria ser realizado.

Com o tempo, a visão de Tesla a respeito da transmissão de energia sem cabos foi se ampliando e evoluindo.



A transmissão através do ar apresentava limitações devido à perda de energia a grandes distâncias.

Por isso, ele decidiu usar a terra, e não o ar, como meio de propagação de energia.

A própria Terra poderia fazer as vezes de condutor;

as ondas elétricas se expandiriam através da crosta terrestre em frentes de ondas concêntricas passíveis de serem recebidas e utilizadas em pontos geográficos distantes.

Desta forma, o planeta inteiro seria convertido num transmissor elétrico colossal.

Numa noite de 1899, Tesla realizou em seu laboratório, na cidade de Colorado Springs, um de seus experimentos mais famosos. 

Em sua tentativa de enviar energia elétrica através da terra, ele descobriu um efeito a que deu o nome de crescimento ressonante.

Essa descoberta pode ser considerada uma das mais importantes façanhas elétricas já realizadas pelo homem.

A tensão acumulada na antena da torre do laboratório produziu um arco de luz que se estendeu em direção ao céu e cresceu progressivamente até chegar a um comprimento de mais de 40 metros.



E a experiência só não teve resultados ainda maiores porque houve uma interrupção inesperada:

o gerador de energia elétrica da cidade de Colorado Springs não agüentou a sobrecarga e acabou se queimando.

Tesla explicou o efeito de crescimento ressonante dizendo que a corrente elétrica havia atravessado o planeta inteiro até refletir-se no lado oposto, tendo sido reforçada por pulsos elétricos obtidos do gerador a cada vez que ela retornava ao seu ponto de partida. 

O bilionário norte-americano J. Pierpont Morgan interessou-se pelo fenômeno Nikola Tesla.

Naquela época, eram relativamente poucos os grupos financeiros que dominavam os recursos econômicos mundiais.

Quando um desses grupos descobria alguém como Tesla, isso poderia ter grandes implicações para o destino desse alguém.

Sem dúvida, Morgan ficou surpreso e imensamente satisfeito quando soube que ele trabalhava sozinho e que estava precisando de fundos para realizar suas pesquisas.



O empresário simplesmente não podia correr o risco de que outro grupo que não o seu financiasse o inventor.

Tesla buscava um meio de viabilizar o seu Sistema Mundial de transmissão de potência elétrica e telecomunicações quando foi descoberto por Morgan.

O empresário, que sabia de seu potencial, entreviu na parceria uma possibilidade de que seu grupo viesse a possuir o monopólio do sistema mundial de comunicações, o que, é claro, pareceu-lhe extremamente interessante. 

Mas, por outro lado, o novo projeto de Tesla representava uma ameaça ao recentemente instalado e imensamente lucrativo sistema de transmissão de corrente alternada.

Se mais alguém se interessasse pelo novo sistema e o levasse adiante, isso seria muito perigoso para o grupo de Morgan. 

Porém, se ele próprio assumisse o financiamento, desfrutaria ao menos da vantagem de poder dirigir a utilização desse sistema segundo sua própria conveniência.

Feito o acordo, o empresário entregou inicialmente a Tesla U$150,000, montante esse que cobria apenas a primeira fase do projeto.



Tesla providenciou então a construção de um novo laboratório em Long Island, perto de Nova Iorque.

E assim, em 1900, a célebre torre de Wardencliff, que deveria superar em tamanho e capacidade de transmissão de potência a torre de Colorado Springs, começou a ser edificada.

Pouco tempo depois, sem prévio aviso, Morgan interrompeu o financiamento da construção do sistema e, quase que instantaneamente, uma onda de rumores espalhou-se pela cidade.

Dizia-se que Morgan havia perdido o interesse pelo projeto por ser ele impraticável.

Dado o prestígio e a influência do bilionário nos círculos do poder financeiro, esses rumores acabaram por espantar todos os outros possíveis financiadores.



A partir de então, todos os esforços realizados por Tesla no intuito de atraí-los foram em vão.

Em 1905, quando grande parte da torre já havia sido construída, o inventor se encontrava financeiramente exaurido.

Ele canalizara para o projeto todos os seus próprios recursos e contraíra enormes dívidas.

Em 1917, durante a Primeira Guerra Mundial, utilizando-se da justificativa de que a torre, que ainda se encontrava inacabada, poderia ser usada por espiões alemães, o governo norte-americano mandou derrubá-la.

A explicação parece pouco convincente. Além do mais, é no mínimo estranho que, mesmo depois de terminada a guerra, ninguém tenha se prontificado a reconstruí-la.



Chegado o momento da explosão, a torre de Tesla permaneceu incólume.

Foi preciso dinamitá-la diversas vezes consecutivas para que ela finalmente ruísse.

De acordo com as previsões de Nikola Tesla, o Sistema Mundial da Torre de Wardencliff estaria apto a possibilitar:

1) A interconexão de todas as estações de telégrafos do mundo;

2) O estabelecimento de um serviço de telégrafos secreto e imune a interferências para uso do governo;

3) A interconexão de todos os telefones e estações telefônicas do mundo inteiro;

4) A difusão universal de notícias, música, etc.;

5) A transmissão mundial de textos na forma escrita (cartas, cheques, etc.);

6) A reprodução mundial de fotografias e desenhos;

7) O estabelecimento de um serviço universal de marinha capaz de permitir a orientação dos navegadores de todos os barcos e, conseqüentemente, a prevenção de acidentes e desastres navais.

Como se vê, Tesla estava várias décadas à frente de seu tempo.

No final do século XIX, quando o rádio acabava de ser inventado e a televisão nem mesmo existia, ele foi capaz de distinguir claramente a possibilidade de que o mundo viesse a desfrutar de uma série de recursos tecnológicos que somente na era da informática chegaríamos a conhecer (através de inventos como, por exemplo, a Internet e o FAX).

Tesla e Einstein se encontraram algumas vezes, e não se possa  descartar a hipótese de que eles tenham conversado sobre ciência, torna-se evidente, pelos depoimentos de Tesla, que ele considerasse as afirmações de Einstein como tentativas arrogantes de subverter o significado intuitivo dos conceitos físicos básicos do homem.

“A Física não é um submundo mental”, parecia ele advertir através de seus depoimentos e atitudes, “mas sim um dos inúmeros reflexos do homem”.

Tesla nunca conseguiu aceitar as interpretações de Einstein no que diz respeito à Teoria da Relatividade.

A seu ver, o espaço não é curvo, mesmo porque ele não é um ente geométrico.

O mesmo ele dizia em relação ao tempo.

Para Tesla, o tempo era a energia vital que o impulsava a descobrir e desenvolver inúmeras coisas úteis, e não poderia ser desperdiçado, tal como Einstein o fizera, em especulações matemáticas inúteis sobre “o pensamento de Deus”.



Ele também criticava toda tentativa de “explicar o funcionamento do universo sem reconhecer a existência do éter e a função indispensável que ele desempenha nos fenômenos”.

O próprio Einstein, após ter passado anos tentando inutilmente desenvolver a sua teoria dos campos sem levar o éter em consideração, viu-se finalmente forçado a aceitar a sua existência.

Tesla declara: 

“Einstein afirma que, através de raios cósmicos, a matéria é transmutada em força, e vice-versa.

Isto é absurdo.

É o mesmo que dizer que o corpo material pode ser transformado em espírito, e o espírito em corpo.”

A repulsa que Tesla sentiu a essa afirmação de Einstein talvez tenha por causa o pressentimento de que tal concepção, se posta em prática, não poderia levar senão a um desastre mundial.

“Não quero proporcionar a alguns indivíduos invejosos e de pouca visão a satisfação de verem frustrarem-se os meus esforços (...).

Meu projeto foi retardado pelas leis da natureza.

O mundo não estava preparado para ele.

Estava demasiado adiantado para o seu tempo.

Mas as mesmas leis prevalecerão afinal e farão dele um sucesso triunfal.”
              (Nikola Tesla, “Meus inventos”, 1919.)

Tesla teria conseguido ainda produzir terremotos artificiais.

Acredita-se que ele o tenha feito através de uma vibração induzida no campo do éter, a qual teria sido transferida a toda a matéria.

Conta-se que, tendo ele testado esta tecnologia em Nova Iorque, verificou-se um forte tremor que atingiu uma área de vários quarteirões.

Várias descobertas de Tesla têm sido investigadas e até mesmo aplicadas para fins bélicos, o que se opõe frontalmente ao espírito do inventor.

As “ondas estacionárias” de freqüência extremamente baixa (ELF), por exemplo, fenômeno conhecido como “Efeito Tesla”, têm sido usadas para a “guerra biopsicológica”.

Um artigo da Associated Press de 20 de Maio de 1983, dá conta de que, por volta de 1960, a URSS usou um dispositivo chamado LIDA para influenciar o comportamento humano com a emissão de ondas de rádio de baixa freqüência.

É provável que elas tenham sido confiscadas pela Agência Federal de Investigações norte-americana (FBI).

Embora esta entidade o tenha negado, existe uma declaração do Departamento de Defesa Norte-americano, datada de fevereiro de 1981, que sugere que o confisco poderia ter de fato ocorrido.



Reza o documento:

“Acreditamos que algumas das anotações de Tesla podem conter princípios básicos que seriam de valor considerável às pesquisas do Departamento de Defesa”.

O fato é que alguns apontamentos de Tesla, escritos em inglês nos laboratórios do cientista, apareceram “misteriosamente”, 

alguns anos após o seu falecimento, já traduzidos para o idioma sérvio num museu em Belgrado que existe em sua homenagem. 

É possível que o misterioso desaparecimento de Tesla (seu corpo só foi encontrado três dias após o desenlace), atribuído aos alemães, tenha sido o resultado de sua recusa em contribuir para que a energia nuclear fosse colocada a serviço da guerra.



Pois se é verdade que, dado o notável talento do inventor, não seria de se estranhar que ele tivesse sido chamado pelo governo norte-americano a integrar o projeto da bomba (agentes representantes dos interesses do Eixo e dos aliados circulavam como aves de rapina em torno de seus projetos e descobrimentos), é igualmente certo que ele, dado o caráter íntegro e honesto que sempre deu mostras de possuir, não teria se sujeitado a aceitar semelhante “convite”.

Não se pode, entretanto, descartar a hipótese de que seu trabalho tenha sido aproveitado a serviço da guerra e, até mesmo, da fabricação da bomba atômica.



BREVES RESUMOS

Nikola Tesla (1858-1943) nasceu na aldeia de Smiljan, durante o Império Austríaco, território da atual Croácia, no dia 10 de julho de 1856. Desde pequeno, era treinado por seu pai para desenvolver a memória e o raciocínio.

Sua mãe vinha de família de inventores.

Durante sua infância dizia que via flashes de luz que apareciam diante de seus olhos.

Em 1873 iniciou o estudo de Engenharia Elétrica, no Instituto Politécnico de Graz, na Áustria e depois na universidade de Praga, sem haver concluído o curso.



Em 1881 entrou para a companhia telefônica de Budapeste, onde começou sua carreira de engenheiro.

Em 1882, Tesla descobriu o campo magnético rotativo, um princípio fundamental da física e da base de todos os dispositivos que usam correntes alternadas. Nesse mesmo ano, trabalhou na Companhia Continental Edison, em Paris.

Dois anos depois, foi convidado para trabalhar para Thomas Edison em Nova York, para onde se mudou.

Ao todo, Nikola Tesla registrou cerca de 40 patentes nos Estados Unidos e mais de 700 no mundo todo.

Suas invenções foram focadas na utilização da eletricidade e magnetismo, entre eles:

a lâmpada fluorescente, o motor de indução (utilizado em indústrias e em vários eletrodomésticos), o controle remoto, a Bobina Tesla, Transmissão via rádio, o sistema de ignição utilizado nas partidas dos carros, a corrente alternativa etc.

Entre as estranhas invenções de Nikola Tesla está uma máquina de terremotos, seu plano era transmitir eletricidade pela crosta terrestre, de forma que em qualquer lugar do planeta se pudesse ligar uma lâmpada simplesmente enfiando-a na terra. 



Acabou falindo, quando queimou a usina elétrica e teve que pagar uma grande indenização.

Em 1894, Nikola Tesla recebeu o doutorado Honoris Causa pela Universidade de Columbia e Yale e a medalha Elliot Cresson, pelo Instituto Franklin.

Em 1912, Tesla recusou-se a dividir o Prêmio Nobel de Física com Edison, o que acabou sendo dado a outro pesquisador.

Em 1934, a cidade da Filadélfia concedeu-lhe a medalha John Scott pelo seu sistema de energia polifásico.

Nikola era membro honorário da Associação Nacional de Luz Elétrica e membro da Associação Americana para o Avanço da Ciência.

Durante muitos anos, o hotel Waldorf Astoria, em Nova York foi a residência de Nikola, quando ele estava no auge do poder financeiro e intelectual.

Durante os últimos dez anos de vida morou no hotel New Yorker, onde faleceu, no dia 7 de janeiro de 1943.

Tesla nasceu em Smijlan, Croácia, em 1856, filho de um clérigo e de uma inventiva mulher.

Ele tinha uma extraordinária memória, que tornou-lhe fácil aprender seis idiomas.

Entrou para a Escola Politécnica em Gratz, onde por quatro anos estudou matemática, física e mecânica, confundindo mais de um professor pela sua extrema compreensão da eletricidade, uma ciência ainda na infância, naqueles dias.

Sua carreira prática começou em Budapeste, Hungria, em 1881, onde fez sua primeira invenção elétrica, um telefone repetidor (um alto-falante comum), e concebeu a idéia de um campo magnético rotativo, o qual mais tarde tornou-o mundialmente famoso, na forma de um moderno motor de indução.

O motor de indução polifásico é que fornece energia para virtualmente todas as aplicações industriais, de correias transportadoras a guinchos para máquinas operatrizes.



Ele decidiu vir para este país (EUA) em 1884.

Trouxe com ele vários modelos dos primeiros motores de indução, que depois de um breve e infeliz período trabalhando para Edison, foram mostrados a George Westinghouse.

Foi nas oficinas de Westinghouse que o motor de indução foi aperfeiçoado. Numerosas patentes foram tiradas desta invenção inicial, todas sob o nome de Tesla.

Tesla trabalhou brevemente para Thomas Edison quando veio para os estados Unidos, criando muitos melhoramentos nos motores e geradores de C.C. [corrente contínua] de Edison, mas deixou-o após muitas controvérsias, e de Edison ter-se recusado a honrar suas promessa de pagar bônus e direitos.

Este foi o começo de uma rivalidade que veio a ter péssimas conseqüências mais tarde, quando Edison e seus financiadores fizeram tudo ao seu alcance para deter o desenvolvimento e a instalação do sistema de Tesla, muito mais eficiente e prático, de distribuição de energia urbana através de energia de C.A. [C.A. - corrente alternada.



É curioso que Edison fez com Tesla o mesmo que os antigos fornecedores de iluminação pública à gás fizeram contra ele, tentando desprestigiá-lo e ao seu invento:

a iluminação pública por C.C. – N.T.]. Edison levou às cidades um tipo de show no qual tentava retratar a C.A. como perigosa, chegando ao ponto de eletrocutar animais pequenos e grandes (em um caso, um elefante) perante grandes audiências.

Como resultado desta campanha de propaganda, o estado de Nova Iorque adotou a eletrocussão por C.A. como método para executar condenados.

Tesla ganhou a batalha, ao demonstrar a segurança e a utilidade da C.A., quando iluminou e forneceu eletricidade à Feira Mundial de Nova Iorque de 1899.

O mais importante trabalho de Tesla ao final do século dezenove foi um sistema original de transmissão de energia através de antena.

Em 1900, Tesla obteve suas duas patentes fundamentais sobre transmissão de energia sem fio, que envolviam o uso de quatro circuitos sintonizados.

Em 1943, a Suprema Corte dos Estados Unidos concedeu a Nikola Tesla plenos direitos sobre a patente de invenção do rádio, substituindo e anulando qualquer reclamação anterior de Marconi e outros, em relação à "patente fundamental do rádio".



É interessante notar que Tesla, em 1898, descreveu não somente a transmissão da voz humana, mas também de imagens, e posteriormente projetou e patenteou dispositivos que envolviam as fontes de energia que fazem funcionar os tubos de TV atuais.

As primeiras e primitivas instalações de radar, em 1934, foram construídas seguindo os princípios, principalmente os relativos a freqüência e potência, já descritos por ele em 1917.

Em 1889 Tesla construiu uma estação experimental em Colorado Springs, onde ele estudou as características da alta freqüência, ou de freqüências de rádio em corrente alternada.

Lá ele desenvolveu um potente rádio transmissor em um projeto singular, e também um número de receptores "para individualizar e isolar a energia transmitida".

Ele realizou experiências para estabelecer as leis da propagação das ondas de rádio, as quais estão atualmente sendo "redescobertas", e mesmo verificadas, após alguma controvérsia, nas altas energias da física quântica.

Tesla escreveu em "Century Magazine" de 1900:

"...que a comunicação sem fio para qualquer ponto do globo era possível. 



Minhas experiências mostraram que o ar em sua pressão normal torna-se um condutor, e isto abre um panorama maravilhoso para a transmissão de grandes quantidades de energia elétrica para propósitos industriais a grandes distâncias sem o uso de fios... sua realização prática poderia significar que a energia estaria disponível ao uso humano em qualquer ponto do globo. 

Não posso conceber nenhum avanço técnico que poderia, melhor do que este, unir toda a humanidade, ou que poderia mais e mais economizar a energia humana... ".

Uma outra das invenções de Tesla, que é familiar a qualquer um que já tenha possuído um automóvel, foi patenteada em 1898 sob o nome de "ignição elétrica para motores a gasolina".



Mais comumente conhecida como o sistema de ignição do automóvel, seu principal componente, a bobina de ignição, permanece praticamente sem mudanças desde o seu aparecimento, na virada do século.

Nikola Tesla também projetou e construiu protótipos de uma máquina rotativa por queima de combustível incrível, baseada em um projeto anterior de uma bomba rotativa.

Testes recentes que tem sido realizados na turbina a disco sem hélice indicam que, se construída usando materiais cerâmicos para alta temperatura recentemente desenvolvidos, colocar-se-ia entre os mais eficientes motores a gasolina do mundo, sobrepujando nossos atuais motores de combustão interna a pistão, em economia, longevidade, adaptabilidade a diferentes combustíveis, e relação custo/potência.

"A ciência não é senão uma perversão de si própria se não tem como objetivo principal o bem-estar da humanidade." 
                                   (Nikola Tesla)